segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Torne-te quem tu és...

Dessa vez vou falar em Nietzsche. Mas é impossível não lembrar de Nietzsche quando se observa a humanidade.

Recebi um desses emails de protesto que rodam pela internet e que você nunca sabe se são reais. Abri porque a pessoa que me enviou era confiável e porque poderia me perguntar pelo email mais tarde e eu não queria dizer que ignorei. Então abri descompromissadamente. Quando dei por mim, percebi que se tratava de um grupo de rapazes que torturavam gatos.

Entendi isso lá pela terceira ou quarta imagem e deviam haver muitas outras pois até a imagem que vi eu só pude deduzir o que eles faziam e o corpo do email se desculpava pelas imagens chocantes. Fechei imediatamente.

Quem me conhece sabe que sou apaixonada por gatos e, mais do que isso, sabe que tenho um coração mole para animais, embora seja rígida com seres-humanos. Não participo de grupos de proteção aos animais nem apoio movimentos que denunciam tortura simplesmente porque não tenho estômago nem mesmo para ouvir falar a respeito.

Mas naquele dia fui pêga de surpresa e sem aviso. O email não explicava com antecedência, o que considero, aliás, uma falta grave. Meu estômago revirou, tive ânsia de vômito e passei mal o resto do dia. Isso sem nem mesmo ver as imagens realmente chocantes.

O que me leva ao meu ponto de sempre: seres humanos. Em sua essência, são perversos. São maus por natureza. A psicologia ensina que crianças são cruéis, porque ainda não têm consciência do certo ou errado, do bom ou ruim. Consciência apenas controla as pessoas, não as modifica. Já dizia Nietzsche, toda motivação é vil.




Você pode estar se perguntando: se ela pensa isso da humanidade, então se inclui no pacote, não?
Quer saber? Depois do primeiro momento de choque, fiquei pensando nesses rapazes. Imaginei que eram meus vizinhos e que um dia eu os descobriria. E imaginei como poderia torturá-los, devagar, talvez repetir a mesma tortura que eles infrigiram aos gatos, talvez pior. Tudo bem, faria isso por um motivo, talvez muitos me apoiariam, diriam que estou certa, veriam apenas uma vingança justa, mas sabe a verdade? Sentiria prazer com o sofrimento deles.

Ora, pensando bem, somos iguais!

All I really want...


A pior sensação do mundo é saber que seu futuro depende do caráter de alguém.


Sempre defendi que somos senhores do nosso destino, porque é nisso que quero acreditar. Achar que tudo depende de um Deus e seus motivos particulares e desconhecidos é muito cômodo, mas não serve pra mim.


No entanto, também defendo a ideia de que devemos sempre questionar nossas verdades, pois elas se tornam paradigmas difíceis de se libertar. E aqui estou eu questionando…


Sabe aquela cena de filme em que o mocinho fica de mãos atadas e sofre a maior das injustiças? Em alguns minutos de cinema ele da a volta por cima e vence.


Na vida real, não acontece assim. Geralmente nos vemos de mãos atadas e dependemos da decisão de alguém, e do caráter que o levará a tomar essa decisão. Tudo o que podemos fazer é lidar com essa situação da melhor forma que encontrarmos.


Porque uma coisa cruel e muito verdadeira é que ninguém nunca te prometeu um mundo justo, então por que você insiste em cobrar justiça?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Busca

É uma ironia que eu saia do Brasil justo no momento em que descobri seu romantismo.

Morando tanto tempo no subúrbio e com tantas outras prioridades, nunca dei o devido valor à sua história, sua arquitetura ou seus artistas. Ao mesmo tempo em que redescubro meu país, eu escolho sair em busca de coisas novas.

E por que?

Eu estou em busca.
Não saberia te dizer o que, não saberia te dizer onde, mas meu coração não está em paz e sempre parece que preciso de mais...

Tenho procurado por respostas sobre quem sou, sobre o mundo. Procurado por alguém a quem pudesse me encaixar como peça de quebra-cabeças, procurado pela amizade verdadeira, por um lugar ao qual pudesse chamar lar, por um trabalho que eu seja capaz de realizar com perfeição, por uma habilidade à qual possa chamar talento...

Eu tenho perseguido meus demônios, destruído minha fé e reconstruído meus valores.

E por tudo isso, de alguma forma, eu escolhi San Francisco. Ou talvez San Francisco tenha me escolhido. Depois de um começo difícil em que não pudemos nos entender, finalmente me apaixonei por essa cidade tão estranha e fria. Suas esquisitisses e suas maravilhas.

E é aqui que essa jornada começa...